06/02/07

Setor agrícola é maior entrave à Rodada Doha

Depois de um semestre de paralisação, as negociações para a Rodada Doha de liberalização comercial deverão ser retomadas nos próximos meses. Será mais uma tentativa de reavivar um processo mundial de abertura de mercados lançado há seis anos, na capital do Qatar, no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Chamada de "Rodada do Desenvolvimento", ela deveria ajudar a reduzir a pobreza mundial. Uma abertura concreta dos mercados tem sido apontada consensualmente como um dos meios para impulsionar o crescimento da economia global, em especial das nações pobres e em desenvolvimento.

Mas, apesar do consenso, as grandes economias, em especial EUA e União Européia, não entram em acordo sobre questões como o fim dos subsídios internos a seus produtores e a retirada de tarifas de importação, especialmente na agricultura.

O setor agrícola tem sido o foco das negociações atuais, em contraponto ao avanço concentrado na área industrial da Rodada Uruguai, em meados dos anos 90. É o setor também que mais interessa às nações em desenvolvimento.

Segundo levantamento da OMC, as subvenções governamentais a agricultura, indústria e serviços podem superar US$ 1 trilhão por ano, ou 4% do PIB global. A maior parte sai dos países ricos e destina-se à agricultura.

Por outro lado, países em desenvolvimento mais avançados, caso de Brasil e Índia, buscam preservar áreas que consideram estratégicas e que interessam às nações ricas, como acesso ao setor de serviços e à indústria e compras governamentais.

No encontro em Davos (Suíça), em janeiro, que definiu a retomada das negociações, não foram acertados prazos.

Quando as negociações foram suspensas, em julho do ano passado, devido a novo impasse, a Rodada Doha já estava "atrasada" em relação ao prazo originalmente previsto para a sua conclusão, em janeiro de 2005.

O colapso do processo de abertura dos mercados pode fortalecer movimentos protecionistas e acordos bilaterais ou multilaterais, o que reduziria o ganho com o fluxo comercial no mundo.

(Fonte: Folha de São Paulo)

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