10/04/07

Redução da oferta de arroz no continente pode favorecer o Brasil

Na colheita atual, a América Latina e Caribe reduziu em 15% a superfície plantada com o grão e deve produzir 22 milhões de toneladas do cereal (5% da produção mundial). Metade desse volume vem dos arrozeiros brasileiros.

A diminuição das áreas de arroz na América Latina e Caribe para a produção de bioenergia pode beneficiar o Brasil. Na colheita atual, a região reduziu em 15% a superfície plantada com o grão e deve produzir 22 milhões de toneladas do cereal (5% da produção mundial). Metade desse volume vem dos arrozeiros brasileiros.

"O Brasil poderia atender esses mercados que necessitam de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas extrabloco", diz o presidente do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Maurício Fischer. Atualmente, as exportações brasileiras ainda são incipientes: estimam-se 300 mil toneladas para este ano.

Segundo ele, a forte demanda dos Estados Unidos por etanol está "forçando" os produtores a cultivar este tipo de lavoura: cana-de-açúcar, milho e soja para combustíveis, que estão mais rentáveis. No entanto, na avaliação do setor e de analistas de mercado, a diminuição da produção mundial de arroz tende a deixar o grão mais caro no mercado internacional. Apenas neste ano, em relação ao mesmo período de 2006, as cotações do cereal estão elevadas em mais de 20%.

"O Brasil tem condição de aumentar a exportação, é só ter mercado remunerador", avalia Valter Pötter, presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). Para o analista Tiago Barata, da Safras & Mercado, teoricamente o Brasil teria condições de conseguir ampliar seu mercado, desde que resolvesse problemas como o escoamento da safra. "Mas acredito que será em médio ou longo prazo, talvez em duas safras ou mais", avalia Barata.

O economista Fábio Silveira, da RC Consultores, diz que em algumas regiões, os produtores de culturas básicas podem se transferir para outras, com finalidades energéticas, em função da atratividade do negócio." Produzir arroz pode ficar como um nicho de mercado", avalia Silveira.

Mercado interno

Apesar das estimativas promissoras para o setor, mesmo em um ano de safra inferior ao consumo, o governo teve de intervir no mercado de arroz. Ontem, representantes do setor estiveram reunidos com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, solicitando mais leilões de opções, de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e de Aquisições do Governo Federal (AGFs). Segundo Pötter, serão realizados mais três leilões de opção, para 100 mil toneladas cada, com vencimento em setembro, a R$ 25,50 a saca - atualmente o mercado está em R$ 21 a saca, abaixo do mínimo. O governo estuda ainda a aplicação do PEP.
                  
(Fonte: Gazeta Mercantil)

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