18/04/07

Brasil e Rússia deverão dobrar comércio bilateral até 2010

A Rússia pretende ampliar em mais de 100% os negócios com o Brasil até 2010, partindo dos atuais US$ 5 bilhões (Rússia exportou US$ 1 bilhão e importou US$ 4 bilhões, em 2006), atingindo os US$ 10 bilhões. A informação foi anunciada pelo chefe da Missão Comercial da Rússia no Brasil, Sergey Loginov em reunião com representantes da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), na última semana.

Os russos são, atualmente, grandes importadores de carne suína, bovina e de fertilizantes do Estado do Rio Grande do Sul. “Hoje, o Rio Grande do Sul exporta 80%, do total de carne bovina e frango comercializado pelo País aos russos. A intenção é ampliar esta participação e contribuir para o crescimento de comercialização entre os dois países”, diz Roberto Pandolfo, vice-presidente da Federasul.

De acordo com ele, outra novidade é a intenção de formar joint-ventures no setor industrial, mais especificamente no segmento automotivo, combustíveis (gás) e alta tecnologia, além de repassar o know-how em projetos de infra-estrutura. “Em contrapartida, compraremos tecnologia e segurança da informação dos russos”, diz.
 
Segundo Loginov, as relações comerciais entre os dois países passa por um momento de boas oportunidades. “Estamos mantendo contatos com alguns grupos brasileiros e as tratativas são promissoras, devendo haver novidades ainda neste semestre. Em outro momento, pretendemos oferecer ao governo estadual projetos comuns para o setor de infra-estrutura de tecnologia”, conta Loginov,, sem detalhar que tipo de negócios e o quanto de investimentos envolveria.

Sergey Loginov revelou ainda que o país do Leste Europeu está fechando a venda de 30 helicópteros e hidroaviões para um grupo do Sudeste do País e pretende também ampliar os acordos para exportação de tecnologia de aviação e componentes da indústria bélica. “O Brasil é o maior parceiro da América Latina da Rússia”, confessa o chefe da missão comercial.

Os acordos comerciais entre os dois países deverá ainda ganhar ainda mais impulso por conta de acordos em mercados considerados pouco tradicionais. Para o presidente da Câmara de Fomento das Relações Brasil-Rússia, Jocelin Azambuja, além dos produtos já vendidos para a Rússia, o país poderá ampliar suas exportações de fumo, derivados de cana-de-açúcar e sucos. “ O comércio bilateral entre os países passa por um momento de ampliação de acordos, o que deverá gerar um crescimento satisfatório ainda este ano”, ressalta.

Outro fator que poderá impulsionar ainda mais os negócios é o fato da Rússia ter suspendido o embargo da carne de frango do Brasil. O embargo russo havia sido imposto oficialmente em outubro de 2006 devido ao caso da doença de newcastle no município de Vale Real, a 90 km de Porto Alegre. “O governo russo estuda a possibilidade de, inclusive, acabar com o serviços veterinários de técnicos russos no Brasil e contratar profissionais locais para a certificação de carne para exportação. A Rússia é um país com muitas oportunidades”, destaca.

Azambuja destaca ainda que existem parcerias no segmento de inovação em conhecimento, como para desenvolvimento de softwares, intercâmbio de profissionais e convênios com universidades.

Segundo informações da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Rússia (CCIBR), bancos russos têm se reunido com instituições financeiras brasileiras para acordos de investimentos, que devem se concentrar na construção de ferrovias e no setor de energia elétrica, além do setor automotivo e alimentos.

A Câmara está desenvolvendo parcerias com os governos dos estados das Regiões Norte e Nordeste do País para atrair investimentos nos setores de eletrônica, semicondutores e biotecnologia, além de infra-estrutura. Atualmente, o Estado do Maranhão já possui parceria com empresas russas na produção de jipes Niva. “No entanto, ainda se nota uma falta de visão dos empresários brasileiros para aumentar a importação de setores da economia russa. A intenção é que a Rússia amplie sua participação de vendas ao Brasil ainda este ano”, destaca Azambuja.

(Fonte: DCI)

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