17/07/07

Exportações de carne por Santos devem crescer de 10% a 15%

As exportações de carne pelo Porto de Santos devem acompanhar a tendência nacional e fechar este ano com um crescimento entre 10% e 15% em relação a 2006. A expectativa é que os embarques, feitos sobretudo em contêineres reefers (frigorificados), ultrapassem a marca das 750 mil toneladas até dezembro.
 
A estimativa de movimentação foi feita, na última semana, pelo diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli.
 
No ano passado, o complexo portuário local escoou 678.983 toneladas de carne. Somente de janeiro a maio deste ano, conforme balanço da Codesp (administradora do porto), essas exportações totalizaram 353.355 toneladas. O número reflete um avanço de 51,19% no comparativo com os cinco primeiros meses do ano passado, quando foram embarcadas 233.723 toneladas.
 
‘‘Esse crescimento é fruto do fim dos embargos à carne brasileira no exterior. Já conseguimos romper muitas barreiras contra o nosso produto e, com o trabalho que estamos fazendo, vamos conseguir reverter muito mais’’, destacou Camardelli.
 
O diretor da Abiec prevê que os embarques anuais por Santos deverão crescer na mesma proporção das vendas externas do País, entre 10% e 15% — chegando a 750 mil toneladas até dezembro. As exportações brasileiras do produto deverão fechar o ano em 2,5 milhões de toneladas.
 
Além do salto estimado pela associação, as chances do Porto de Santos aumentar a quantidade dessa carga, especialmente a carne bovina, são ‘‘muito grandes’’. A principal alavanca será o próprio mercado produtor paulista. ‘‘Exportamos carne para mais de 170 países. Os principais consumidores são o Bloco Europeu, o Egito, a Rússia e a Argélia. No momento em que São Paulo voltar a ter seus produtos aceitos pela União Européia, os frigoríficos vão voltar a todo vapor e, obviamente, vão exportar por Santos’’, garantiu.

CODESP

O diretor comercial e de Desenvolvimento da Codesp, Fabrizio Pierdomenico, também avaliou que o bom momento das exportações de carne é reflexo do cenário nacional da carga. Ele não descartou, porém, que o crescimento da commodity no porto ao longo dos últimos cinco meses tenha ligação com problemas em portos que tradicionalmente movimentam esse tipo de mercadoria, como Itajaí (SC).
 
O mais provável, na visão de Pierdomenico, é que a carne operada nos terminais da região tenha origem na própria hinterlândia (região atendida) do complexo portuário. ‘‘Pode até ser que alguma carga tenha migrado de outros portos para Santos. Mas não acredito que tenha peso para suportar esse crescimento todo. Acredito na força dos seis estados da nossa hinterlândia nessa produção’’, ressaltou.
 
Pierdomenico revelou, também, que as operações realizadas no cais santista não demonstram apenas o incremento em tonelagem, mas no preço. Segundo ele, as exportações de carne pelo complexo somaram US$ 830 milhões entre janeiro e maio. ‘‘No primeiro semestre, os embarques feitos no Brasil foram de US$ 2,2 bilhões. Isso mostra que, mesmo sem contar o último mês, Santos respondeu por um terço. Isso é um indicador que, hoje, Santos pode ser responsável entre 40% e 50% da carne exportada pelo País’’, calculou.
 
O executivo apontou, no entanto, que mesmo diante do crescimento operacional, os terminais de contêineres do porto estão aptos a atender a demanda de reefers (tipo de cofre onde as carnes são transportadas) a curto prazo. Entretanto, ele afirmou que a Autoridade Portuária estuda alternativas para ampliar a estrutura para a absorção do volume a médio e longo prazo.

(Fonte: Jornal A Tribuna)

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