18/09/07
Mamão brasileiro busca fama no exterior
Nas terras ensolaradas do Espírito Santo, mais precisamente em Linhares, litoral norte do estado, é possível encontrar o maior pomar de mamão do Brasil. Dos 2.100 hectares da fazenda Caliman, 600 hectares são cultivados com as variedades golden, formosa e calimosa, essa última primeiro híbrido nacional da fruta. De acordo com Rosângela Caliman, uma das diretoras da empresa, no momento a principal preocupação é consolidar o mamão brasileiro no mercado externo. "Para que em breve o mamão deixe de ser considerado uma fruta tropical exótica, tornando-se uma fruta rotineira, como aconteceu no caso da manga e do abacaxi", explica.
Hoje, cerca de um terço das 15 mil toneladas de mamão colhidas por mês na fazenda capixaba, que gera 423 empregos diretos, são exportadas para Estados Unidos, Canadá e países europeus como Inglaterra, Holanda, Alemanha, Suíça, Portugal, Espanha e Itália. "A meta da Caliman é elevar o volume exportado para os mercados europeu e norte-americano, aumentando o market share do mamão brasileiro nesses países. No momento, a Caliman não está em busca de novos mercados, mas há planos para isso no futuro", contou Rosângela.
Para atingir o objetivo de expansão, a Caliman investe aproximadamente R$ 500 mil por ano em convênios com instituições de pesquisa para promover melhoramentos genéticos e desenvolver novas tecnologias para a indústria. "Qualquer pesquisa envolvendo o melhoramento genético leva em média cinco anos. Foi esse o tempo necessário para o desenvolvimento do híbrido calimosa", conta Rosângela.
O mamão calimosa surgiu a partir de 84 cruzamentos e investimentos de R$ 2 milhões. Fruto do cruzamento dos dois grupos existentes de mamão, o formosa e o solo, foi desenvolvido em parceria entre a Caliman e a Universidade do Norte Fluminense (Uenf). Recentemente liberada para produtores do Espírito Santo, a calimosa tem frutos de tamanho intermediário, ou seja, maiores do que as do grupo solo (papaia) e menores que as do formosa, além da boa produtividade. "Ele tem em média um quilo, sua pele é verde escuro. A polpa tem uma cor bem alaranjada e chega a ser 26% mais doce que o formosa", explica Rosângela.
Criado também para exportação, o calimosa não deve concorrer com o golden, líder em exportações, porque são variedades distintas, de sabor e tamanhos diferentes. Inicialmente ele está sendo exportado em pequenas quantidades, como teste no mercado externo.
A matriz da Caliman está localizada na fazenda Santa Terezinha, na cidade de Linhares, no Estado do Espírito Santo. Lá ficam as grandes lavouras, o banco de germoplasmas formado por 52 diferentes materiais genéticos e a parte administrativa da empresa. Em Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, funciona a Caliman Agrícola RN e a parte de processamento de frutas. A localização é estratégica do ponto de vista logístico - porto de Natal - para atender melhor o mercado externo.
O mamão também é nosso
O Brasil é o maior produtor mundial de mamão e o terceiro país exportador, ficando atrás apenas do México e da Malásia, segundo dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). A fruta é cultivada em todas as regiões brasileiras e os principais estados produtores são a Bahia e o Espírito Santo.
(Fonte: ANBA)
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