02/10/07

Cosan vê equilíbrio com país exportando 20% do álcool

A Cosan, maior empresa do setor sucroalcooleiro do país, avalia que para o mercado de açúcar e álcool ficar equilibrado o Brasil teria de exportar no futuro 20 por cento de sua produção do biocombustível.

O presidente da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, não especificou em que momento esse volume de exportação ocorreria.

"Isso é importante para que a escoação de matéria-prima se feche, e isso não será problema nos próximos anos... já temos mercado para isso", afirmou Ometto nesta sexta-feira a jornalistas, antes de evento em Goiânia.

A produção de álcool brasileira está oficialmente estimada em 21,3 bilhões de litros, com o mercado prevendo exportações no ano-safra de 3 bilhões de litros, o que representaria 14 por cento do volume produzido.

Ele disse ainda que os preços do açúcar só melhoram no médio prazo, e deverão permanecer ao redor de 10 a 11 centavos de dólar por libra-peso durante a safra atual e na próxima.

O atual patamar da commodity está bem distante dos 20 centavos de dólar registrados no início de 2006, quando havia escassez no mercado mundial.

Ometto assinou nesta sexta-feira com o governo de Goiás um contrato de financiamento de incentivos fiscais para instalação de três usinas de álcool no Estado.

Serão investidos pelo grupo nos próximos dois anos 650 milhões de dólares nessas unidades, que devem ampliar em 25 por cento a atual capacidade de processamento da Cosan de 40 milhões de toneladas de cana por ano.

Cada usina terá inicialmente uma capacidade para moer 3,3 milhões de toneladas de cana por ano, podendo ser ampliada para 10 milhões de toneladas cada uma, dependendo das condições do mercado.

Pelo contrato assinado com o governo, a Cosan vai receber incentivos fiscais de 1,38 bilhão de reais nos próximos 20 anos.

Essas são as primeiras unidades da Cosan fora do Estado de São Paulo, onde possui 17 usinas. As três produzirão exclusivamente álcool.

As três unidades serão capacitadas para cogerar energia por meio da queima de bagaço de cana, relatou Ometto num discurso a empresários, citando que, "como todo mundo sabe, o Brasil terá um problema grande (com falta de energia) em 2010 e 2011".

Ele afirmou que o Estado foi escolhido para o investimento pela qualidade do solo, índice de chuvas, altitude e boa logística.

(Fonte: Reuters)

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