10/10/07
Etanol é o tema de parceria de Cotonou com a Codesp
O que levaria quatro dirigentes do Porto de Cotonou, que fica no distante Benin, Oeste da África, a desembarcar em Santos, sede do maior porto da América Latina, para a assinatura de uma parceria com a Codesp? A resposta tem seis letras e responde pelo maior trunfo tupiniquim em termos comerciais: etanol. A busca pelo biocombustível brasileiro atrai a cada dia interessados de diversas partes do mundo e, pelo visto, o porto santista terá papel fundamental na hora de escoar todo o combustível nacional que for para o exterior.
Para o presidente do Porto de Cotonou e chefe da comitiva que visitou a Docas santista na última semana, Christophe Aguessy, este começo de século marca uma nova intensidade nas relações entre Brasil e África. Segundo ele, é fundamental que haja uma maior interação entre África e América, com o etanol desempenhando papel decisivo nessa junção de mercados.
De forma indireta, Aguessy corrobora o editorial publicado na semana passada pelo jornal americano The New York Times, que criticou o modelo de biocombustível bancado pelo governo de George W. Bush, citando a fórmula brasileira, baseada na cana de açúcar, como exemplo a ser seguido.
“A África também está interessada em compartilhar dessa fórmula que vai salvar o meio ambiente do planeta e garantir uma sobrevida para todas as nações. Acreditamos na proposta do Brasil para o etanol e, por causa de nossa localização geográfica privilegiada, temos todas as condições de receber navios do Brasil abarrotados de biocombustível. Vamos fazer de tudo para que isso saia do papel. Essa viagem foi o primeiro grande passo”.
O Porto de Cotonou é um dos maiores africanos, movimentando atualmente mais de 400 mil toneladas de cargas por ano. O problema, segundo o diretor presidente, é que hoje a infra-estrutura de Benin suportaria, em tese, apenas 200 mil toneladas por ano. Ou seja, há sobrecarga de mercadorias, um perigo e um convite para a ocorrência de acidentes fatais.
“Nossa visita ao Brasil também tem o objetivo de aprender com Santos como trabalhar duro no sentido de se cumprir todas as normas internacionais para a adequação ao ISPS Code. Sabemos que muito já foi feito no Brasil, enquanto na África praticamente não saímos do zero. Cotonou é um dos poucos, senão o único, que cumpriu quase tudo para não ficar de fora do ISPS, pois seria algo muito ruim perder o direito de movimentar cargas internacionais”.
Para o presidente da Codesp, José Di Bella Filho, a parceria Cotonou-Santos poderá ser aperfeiçoada com a criação de um comitê de tráfego, que tem por objetivo estudar formas de intensificar o comércio marítimo entre Brasil e Benin, país que hoje conta com pouco mais de 8,5 milhões de habitantes e área de 112 quilômetros quadrados, pouco maior que o estado brasileiro de Santa Catarina, por exemplo.
“O Brasil já manda bastante açúcar, frango congelado e doces para o Benin. Em contrapartida, importamos, basicamente, o algodão. Podemos estudar outros produtos e incentivos para que a interação entre Santos e Cotonou seja permanente”. No encerramento do encontro, Di Bella recebeu e prometeu estudar um convite para visitar o porto africano e conhecer a estrutura de Cotonou.
(Fonte: PortoGente)
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