20/11/07
Mercado mundial aguarda atento safra brasileira de café
O diretor executivo da Organização Internacional do Café - OIC, Néstor Osorio, alertou, durante a 15ª edição do Encontro Nacional das Indústrias de Café - Encafé, de que os estoques mundiais de passagem não serão suficientes após os próximos 60 dias. "Os estoques de passagem estão perto de 20 milhões de sacas. Nunca estiveram em níveis tão baixos", afirmou Osorio, ressaltando que a próxima safra do Brasil, o maior produtor mundial de café, deve definir o mercado dessa commodity ao longo de 2008.
Segundo estudo da OIC, a demanda pelo grão cresce 1,7% anualmente, o que corresponde a um volume próximo a 2 milhões de sacas. Nesse contexto o Brasil aparece como um importante player do mercado, ao contribuir com cerca de 800 mil sacas.
Após passarem por crises nas últimas safras, os cafeicultores assistiram em 2007 a uma recuperação do setor. O déficit de produção, com 114 milhões de sacas para um consumo mundial próximo de 122 milhões de sacas, elevou as exportações e garantiu ao produtor preços firmes ao longo deste ano. Definidas as safras da Colômbia e do Vietnã, o mercado aguarda a divulgação da estimativa da próxima safra brasileira. "A Colômbia deve manter seus 12 milhões de sacas e o Vietnã, que teve sérios problemas climáticos, não deve passar de 15,5 milhões de sacas. A oferta do próximo ano depende do que acontecer com o Brasil", diz Osorio.
Apesar do déficit na produção, Osorio não recomenda o cultivo em novas áreas, mas sim uma busca pelo aumento da produtividade por meio da renovação das lavouras. "Temos de tomar cuidado para não gerar crises no futuro e repetir problemas ligados à superprodução", afirma.
O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab para a safra 2008/09 de café do Brasil será divulgado dia 14 de dezembro. Na ocasião, também será divulgada a quarta e última estimativa à safra 2007/08. O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café - Cecafé, Guilherme Braga, porém, destacou o fato de que em 2007 as exportações devem ficar entre 27 e 28 milhões de sacas, e a Associação Brasileira das Indústrias de Café - Abic está apontando um consumo interno de 16 milhões de sacas. "Os números de previsão de safra, consumo interno e exportação não batem", diz. Ele confirmou ainda que este ano a receita com as exportações deve atingir US$ 4 bilhões, o que seria o maior patamar da história, bem acima dos US$ 3,2 bilhões registrados no ano passado.
A divergência entre os números de oferta e demanda, que chega a 10 milhões de sacas, também foi destacada pelo secretário de Produção e Agroenergia do Ministério de Agricultura, Manoel Vicente Bertone. "Temos de avaliar melhor nossos estoques, consolidar os números, investir nisso, porque senão vamos tomar decisões de bases erradas", afirmou durante o Encafé, diante das principais lideranças da cafeicultura no País.
No entanto, a principal crítica de Bertone diz respeito ao baixo índice de subsídios que o governo brasileiro disponibiliza para a agricultura. "Eu comecei a ter vergonha da falta de apoio do governo brasileiro aos agricultores", disse, e ainda sugeriu a criação de uma Bolsa direcionada ao produtor e o uso de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor - Pepro como forma de apoio à indústria de solúvel e de torrado. Para Bertone, a agricultura brasileira é alavancada artificialmente com dinheiro de dívidas que não foram pagas. "As dívidas agrícolas durante a gestão do ministro Roberto Rodrigues eram de R$ 30 bilhões e hoje já chegam a R$ 130 bilhões."
O presidente da Abic, Guivan Bueno, também salientou a falta de consenso nas primeiras reuniões do Funcafé a partir do Governo Lula e criticou o uso do Fundo como um subsídio. "Nós indústria somos contra o subsídio direto", afirmou.
(Fonte: Diário do Comércio e Indústria)
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