09/01/08
Safra agrícola desafia portos brasileiros
Exportadores e importadores de grãos enfrentarão cada vez mais dificuldades para movimentar suas cargas pelos portos brasileiros, em especial o de Santos e o de Paranaguá (PR), principais escoadouros desse tipo de mercadoria no País. O alerta é da consultora Elizabeth Chagas, especialista em agronegócios.
De acordo com ela, ao mesmo tempo em que o Brasil está prestes a produzir uma safra agrícola recorde, o sistema portuário não consegue dar as respostas ao mercado no tempo devido, numa relação que cresce em medida inversamente proporcional.
‘‘Antevejo dificuldades porque nosso portos estão em condições precárias e os investimentos feitos são insuficientes. Vamos ter mais congestionamentos, filas de caminhões quilométricas’’, avalia Elizabeth. ‘‘Para se ter uma idéia, a entrega de fertilizantes em 2006 foi de 20 milhões de toneladas. Em 2007, esperamos entregar 24 milhões de toneladas. Para 2008, a estimativa da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) é de 4,5% de crescimento. Eu acredito que esse índice será maior, continuará na casa dos dois dígitos, em torno de 10%, a não ser que tenhamos problemas de matéria-prima, gargalos na produção ou no recebimento de cargas’’, explica (ver matéria na próxima página).
Ex-diretora comercial do terminal da Rodrimar em Santos, ela é, hoje, proprietária da Elizabeth Chagas Consultoria e Assessoria em Comércio Exterior Ltda. Seu conhecimento no setor foi reconhecido recentemente, ao ganhar o 4º Prêmio As Mulheres Mais Influentes do Brasil, da Gazeta Mercantil.
SOJA
Conforme Elizabeth, nos últimos dois anos o Porto de Santos vem respondendo pela exportação de 50% da soja produzida no País, devendo continuar concentrando os embarques da carga pelos próximos anos. ‘‘Eu acho que vai haver migração de cargas como soja para portos alternativos na região Norte e Nordeste. Sem sombra de dúvida, perde-se muito tempo e dinheiro transportando a soja do Brasil Central, de Goiás, por exemplo, até o Porto de Santos ou de Paranaguá. São necessárias opções no Norte e Nordeste, hoje inexistentes. Esse é um estudo que todos já estão fazendo’’.
Mesmo assim, Elizabeth avalia que a soja abocanhada por Santos após os episódios de filas quilométricas em Paranaguá, largamente divulgados pela mídia nacional nos últimos anos, não mais voltará para o complexo sulista. ‘‘Essa carga agora é de Santos’’.
Apesar das dificuldades de acesso, a consultora avalia que Santos continuará a atrair cargas. Além da própria soja, ela cita o álcool, em plena ascendência, e o milho. ‘‘O porto está geograficamente dentro do centro de grande consumo e produtividade. A agricultura forte do Brasil vai do Paraná a Goiás, então Santos ainda é um porto com condições logísticas muito boas’’.
(Fonte: A Tribuna Digital)
Voltar |
|