04/03/08

Brasil não tem estoque regulador pela 1ª vez na história

A recuperação da renda do Produtor foi debatida no primeiro dia de atividades do Agrocafé 2008, que está sendo realizado de 03 a 05 de março de 2008, no Hotel Pestana, na capital baiana.
O tema foi abordado pelo deputado federal Carlos Melles, que é um dos membros da Comissão Parlamentar do Café; pelo consultor Luiz Suplicy Hafers e por Celso Luís Rodrigues Vegro, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), de São Paulo. O debate foi intenso, dentre os pontos abordados destaque para a evolução de mercado e novas metas de políticas internas.

O pesquisador do IEA, Celso Vegro, falou sobre a evolução do mercado e informou que nos últimos dez anos o consumo do café passou por um processo de modernização, com os consumidores tornando-se muito mais exigentes quanto à qualidade do produto. Isso se deveu, sobretudo, à expansão das cafeterias, fenômeno mundial, e estendeu o hábito do cafezinho às faixas mais jovens da sociedade, que descobriram que café é uma boa bebida, e saudável, ressalta.

De acordo com Vegro, o paulistano bebe, por dia, 25 milhões de xícaras de café fora de casa e cerca de 37 milhões de xícaras dentro de casa. É o maior consumo per capita do Brasil e, provavelmente, do mundo. A estatística aponta também que 85% dos paulistanos tomam café e 65% o fazem fora de casa, em bares, restaurantes e no trabalho. São Paulo é a maior cidade consumidora de café do mundo, disse o palestrante.

O deputado federal Carlos Melles enfatizou, como parlamentar, novas metas de políticas internas para o café. Eu acredito que o commodities vão tem um horizonte razoável. É difícil falar porque as elas são traiçoeiras. Ser exportador de café verde e torrado ou moído é desastroso, só dá certo quando tem a falta de resistência que nós temos, ressalta. Como produtor eu faria da mesma forma que o IBC (Instituto Brasileiro do Café), procurando saber quanto custa produzir o café. A partir daí começo a ter um parâmetro do custo de produção, e vejo se quero estimular ou desestimular a produção. Com isso traçarei metas de políticas internas para o café, completa.

O parlamentar fala também sobre a recomposição dos estoques e o leilão de opções pode ser uma alternativa. É a primeira vez na história mundial que o Brasil não tem café no estoque regulador. Neste aspecto, já falei com o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes ou o governo faz ou nós produtores fazemos. Para ele, a recomposição é necessária e urgente.

O consultor Luiz Hafers abriu sua explanação falando da preocupação com a situação que o setor cafeeiro se encontra. Esperançosos porque temos confiança em nós, nas nossas lideranças, no negócio do café e principalmente no Brasil. Estamos em uma situação muito difícil; primeiro porque ninguém acredita que nós não ganhamos dinheiro nestes últimos quatro anos, não acreditam que aumentamos a produtividade com o dinheiro que não tínhamos ou que nos emprestaram a juros obscenos. Não acreditam na dificuldade que estamos passando, enfatiza.

O consultor acredita que os preços vão subir. Nós devemos tomar cuidado, mas não devemos temer. Por isso proponho soluções, políticas que regulamentam e não de intervenções. O mercado não tem se mostrado eficiente na conversão da oferta e da procura. O mercado cai e nós ficamos de cinco a seis anos agarrados ao pé de café; o mercado sobe e ai então leva quatro ou cinco anos para ter produção. Isso não é eficiente, destaca Hafers.

Para ele, a ortodoxia da academia acha isso uma beleza, mas só conhece o café na xícara, critica. Quando nós tínhamos café no reservatório, o salário mínimo era US$ 60, hoje o café está em US$130 e o mínimo é US$250. Nós precisamos convencer principalmente a opinião pública que não somos chorões, estamos em dificuldades. Quais são as soluções, primeiro uma união maior do que a de hoje; discutir com as lideranças. Nós estamos em uma mudança mundial, mudam os parâmetros, mudam as normas. Os preços não estão mais feitos por oferta e procura como disseram os economistas. Eles são feitos por intervenções, disse. O consultor termina dizendo que quer regras e não intervenções. Quero respeito e não quero esmola; progresso e não favor, conclui.

(Fonte: Portal do Agronegócio)

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