24/03/08
Uma viagem de mais de 2 mil km para conseguir exportar algodão
Duzentas mil toneladas de algodão em pluma produzidas no ano passado no oeste baiano viajaram 2 mil quilômetros em caminhões para serem exportadas. Ao invés de levarem a produção para o exterior via o porto de Salvador, os produtores de algodão preferem embarcá-la no terminal portuário de Santos.
"Há dois anos tentamos fazer pelo porto de Salvador, mas encontramos dificuldades e desistimos", diz Walter Horita, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). Segundo ele, faltavam contêineres. Além disso, como as condições do porto não são as mais adequadas, não há nenhum armador interessado em fazer rotas para países do sudeste asiático como China, Indonésia e Japão, para onde a produção de algodão é exportada.
Além do algodão, empresas do setor petroquímico e fabricantes de celulose levam suas cargas a portos distantes da Bahia. Só em 2007, 18,6% das cargas baianas foram movimentadas através de outros terminais portuários do país. A maior parte dessa carga, 74,5%, era de celulose. O principal destino das cargas que fogem dos três portos baianos: Salvador, Ilhéus e Aratu, é o porto de Santos, de acordo com a Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport).
Para Paulo Villa, presidente da Usuport, a falta de investimentos nos últimos oito anos no porto (desde que a Wilson, Sons passou a administrar o terminal portuário) e a péssima qualidade das estradas baianas têm feito com que o terminal fique cada vez menos competitivo. "Além de Santos, estamos perdendo carga para o Ceará e Pernambuco", afirma o executivo.
Na prática, Salvador opera com um berço para contêineres e dois equipamentos para carga e descarga dos navios. O outro berço é pouco utilizado e só atende carga geral. No Ceará, o porto de Pecém trabalha com três berços e seis guindastes. Em Pernambuco, são dois berços e quatro equipamentos. "Com isso, eles são mais ágeis".
Pesquisa realizada em 2006 e concluída em janeiro pelo Centro de Estudos em Logística (CEL), ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), classificou o porto de Salvador como o pior do país, entre 18 avaliados. A nota atribuída foi de 5,1 pontos, enquanto a média nacional ficou em 6,3, em uma escala de zero a dez.
Marco Antonio Medeiros, presidente da Codeba, acredita que o gargalo não está só no porto, mas também nas vias de acesso a ele. Por isso, sua avaliação é de que a Via Expressa Portuária, que ligará a BR 324 ao porto da capital baiana, impulsionará as atividades do porto, porque facilitará o escoamento da produção. O edital da obra, que faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), era para ser lançado em março, mas, até agora, não houve anúncio oficial.
Com isso, será preciso também investimentos no porto. Além da licitação para a construção do segundo terminal portuário, a Codeba lançará licitação para a dragagem do porto já existente. A profundidade passará de 12 metros para 15 metros. "Essa será uma licitação internacional. Grupos estrangeiros poderão participar", diz Medeiros. A expectativa é de que a dragagem fique pronta em seis meses e o novo terminal no prazo de 18 a 24 meses.
(Fonte: Portal Brazil Modal)
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